quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Black Hawk Down (2001)


Um grande conflito levado às telas do cinema. Diria, no mínimo, impressionante. Black Hawk Down é uma obra-prima em movimento, mostrando que Ridley Scott merece ocupar o lugar que ocupa na elite dos diretores de cinema, dando porquês dessa constatação em fatos convincentes, que evidenciam tal.
Durante a guerra civil da Somália tropas estadunidenses invadem a capital Mogadíscio para combaterem grupos rebeldes respaldados por um regime doentio instaurado por Mohamed Farrah Aidid, mas o que deveria ser uma operação rápida e simples, sai completamente do eixo de controle e toma proporções catastróficas, tornando-se uma cansativa e desnecessária batalha de 15 horas de duração, com grandes baixas para ambos os lados.
Pouco a se falar sobre a história. Um roteiro consistente, apesar do nem tão consistente aprofundamento no acontecimento em si, mas é perceptível que o que se passa na tela é bem eficaz, e dá um sentido claro ao conflito, levando o espectador a assimilar toda a problemática do filme em seus diversos aspectos. Ken Nolan está de parabéns.
Uma ótima continuidade. Com a frenesi que acompanha o filme parece meio difícil, mas é possível perceber que os fatos acontecem numa linha racional, não deixando a intensa troca de câmeras e pontos de vista afetar o tempo cronológico, melhorando ainda mais a obra. E uma grande criatividade, até mesmo em detalhes de takes que poderiam passar desapercebidos, mas Ridley Scott lembrou-se de deixar seu selo de excelência ao rodar este roteiro, até mesmo nos pontos mais minuciosos.
Fotografia. Esse foi um dos fatores que me chamou mais atenção no filme. Slawomir Idziak realizou um dos trabalhos de direção fotográfica mais primorosos que eu já vi na vida, brincando com a saturação de cores, com a iluminação e deixando cada vez mais complexo o seu trabalho. Complexo e maravilhoso, diga-se de passagem.
Às vezes uma fotografia neutra, com iluminação natural e artificial em níveis bem próximos, mostrando as cores e sensações literais do acontecimento. Às vezes, bem complexa. Mistura de tons, mudança de temperatura cromática e uma certa instabilidade - proposital - nas cores (somadas ao grande trabalho de efeitos visuais, de montagem e de direção, claro) foram aspectos cruciais para a absorção do sentimento necessário em cada cena, e isso, com certeza, foi desempenhado com maestria.
Outra coisa que me chamou muita atenção foi o elenco. Acho que não poderia haver escolha melhor para esse filme. Talvez tenha sido uma espécie de compensação pela falta de aprofundamento na história, mas a equipe de produção fez com que um elenco misto de grandes estrelas e de atores de nem tanta expressão assim fizessem participações com importância equivalente, deixando a homogeneidade na trama interessante e envolvente.
Dois Oscars: Melhor Som e Melhor Edição. Merecidíssimos, é claro. A soma das frenéticas mudanças de ponto de vista à mixagem e edição do som de balas de diferentes armas e explosões em diferentes ambientes formaram uma combinação, me arrisco a dizer, perfeita e emocionante, para os amantes do cinema, mostrando que nem só de injustiça se sustenta o Oscar, competência também é premiada, como nesse caso.
Ridley Scott mostrou o porquê de ter ganhado o prêmio de Melhor Diretor no ano anterior, representando muito bem suas qualidades na regência deste grandioso projeto. Está de parabéns.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

The Tree Of Life (2011)


Após um hiato de 6 anos sem lançar nada como diretor, Terrence Malick volta às telas e à mídia com o religioso e polêmico longa que lhe rendeu um dos prêmios mais cobiçados na indústria do cinema: o Palma De Ouro em Cannes. Com Sean Penn, Brad Pitt e Jessica Chastain no elenco, Malick realizou um ótimo trabalho, tanto como diretor quanto como roteirista, porém cometendo alguns erros bestas, que fariam do filme um marco maior ainda na história do cinema se não existissem, e agora vocês saberão o porquê disso.
A trama passa-se na década de 50, e mostra a história do menino Jack O'Brian e sua trajetória de vida, desde o momento em que um de seus irmãos morre (acontecendo no início do filme e dando vazão à uma idéia de que pode ter sido por causa disso, somado a outros inúmeros fatores, o porquê dele ter tido uma relação tão complicada com seu pai) até sua vida adulta, quando o realizador mostra-o um adulto transtornado e sofrido vivido na pele de Sean Penn.
O filme é bastante complicado como um todo, pois as cenas são feitas unicamente apresentando ações, livres de falas ou acontecimentos mais concretos e esclarecedores. Sempre a troca de opiniões e idéias é dada por sequências ínfimas de dizeres, acompanhadas por muita atuação e gesticulação, e foi aí que o diretor cometeu seu primeiro erro: designou papéis importantíssimos para a síntese da obra à pessoas desqualificadas para tais, como Jessica Chastain e Hunter McCracken.
O garotinho (Hunter) que protagoniza o drama, é extremamente amador para a imensidão e conceito em que o filme se encontra e a profundidade que o papel requere, não tendo a experiência e o talento devido para interpretar o problemático Jack, deixando a desejar certas sequências que deveriam ser muito mais marcantes e tocantes, fazendo o filme deixar uma lacuna que realmente faz a diferença no final de tudo.
Jessica Chastain. Quem é ela? Não sei como foi a sua atuação nas várias séries ou nos outros dois filmes dos quais participou (ela atuou em outros longas, porém ainda não-lançados), mas me pareceu que ela se esforçou tanto para ser natural nas cenas de sofrimento e pesar - cenas essas que desempenhou com êxito, deixo bem claro - que nas que deveriam ser mais fáceis de fazer, ela parece que ligou o "modo robótico" e fez. Correria e brincadeira, sorrisos e gargalhadas, um passar de mão na cabeça como quem sente orgulho do filho que tem, pareceu-me meio forçado, quando fora designado à ela para se fazer, e em meio à monotonia que o filme abriga, é fácil de perceber pequenos descuidos como esses, quando se está atento.
Um roteiro extremamente complicado. Assim posso chamá-lo. Pois não é qualquer pessoa que "digere" a idéia e entende o sentido geral do filme, principalmente pelo fato da película não conter muitas cenas com falas que expurguem-no - como já dito antes - deixando assim algumas dúvidas na cabeça dos menos atentos. A ausência de trilha sonora em boa parte da obra é também um fator agravante, pois é um filme que se dá, eu diria que, 90% de percepção e sensibilidade, unicamente pelo que está sendo apresentado, e para um espectador paciente e sensitivo, a pungência das sequências se dá ao fim, quando maravilhosos, criativos e bem compostos trechos de música clássica, feitos por Alexandre Desplat, entram em cena dando o toque requintado necessário.
Outra coisa que me chamou atenção e que considerei um deslize enorme por parte do diretor foi o fato dele possuir uma das maiores personas que já passaram pelo cinema, viva em seu elenco, e não ter usado com sabedoria seu talento. Falo de Sean Penn. Um ator consagrado. Extremamente talentoso. Malick, por que não usufruiu da habilidade dele para preencher as pequenas lacunas (pequenas, mas bem perceptíveis) existentes no filme? Essa é uma pergunta que nunca vou saber responder.
O enredo é extremamente relevante e pertinente. Religião. Família. Vida. Mostra o crescer e o envelhecer de um ser humano e suas inúmeras atividades corriqueiras decorrentes da rotina que leva. Mostra as dificuldades que se tem quando enfrentamos a perda de um ente querido, um irmão, logo na infância, e filosofa as peculiaridades do universo lado a lado com o dilema da existência de um Deus maior que rege e ordena o mundo e o porquê das coisas precisarem ser do jeito que são. Atuações maravilhosas, fortes, dos grandes nomes, como Brad Pitt e Sean Penn - Sean apesar de não ter sido muito usado, interpretou muitíssimo bem, como de praxe -, e algumas boas, até mesmo dos pouco experientes contidos no elenco, mas conversando com um amigo, cheguei à uma conclusão: o filme poderia ter contado e passado toda a mensagem sem precisar ter ao menos 1/3 de toda o desenrolar técnico da produção, podendo ter sido até mais agradável e de mais fácil compreensão para o espectador. É um ótimo filme, mas poderia ser melhor.

domingo, 12 de junho de 2011

Blue Valentine (2010)


Com um convite ao dissabor da rotina e dos problemas em um relacionamento, Blue Valentine é o filme perfeito para mostrar, nesse mês dos namorados, que casais tão perfeitos não existem, e apesar de Dean e Cindy - Ryan Gosling e Michelle Williams - serem problemáticos até demais para o contexto linear ao qual estamos acostumados, pode-se dizer que todos os casais têm problemas de sobra, e que, na maioria das vezes, escondem por debaixo dos panos.
Dean é um personagem despreocupado, alheio e averso à responsabilidades, que nunca fez questão de muito em sua vida, e apesar de ter bastante potencial, para engajar-se em algo que o satisfizesse pessoal e profissionalmente, preferiu seguir o básico da sobrevivência necessário a ter que se enrolar à uma vida mais séria e estereotipada. Coisa que não agrada muito Cindy, uma personagem completamente diferente.
Michelle Williams (Cindy) é uma pessoa extremamente desagradável. Não tem ânimo para nada, destrata seu marido... E tudo isso, durante o filme, parece reflexo de um estilo de vida que ela teve de adotar por conta das circunstâncias que de repente apareceram em sua vida. É um roteiro complicado, com personagens complexos, e uma história diferente, mas foi um filme bem feito por Derek Cianfrance.
O filme em si, com seus takes e seus diálogos, mostra a relação conturbada entre o casal principal, sendo Dean um homem super redundante e repetitivo, áspero, mas também sensível, seguindo essa linha antitética em várias características, meio que, em certos momentos, se tornando capacho da amada, e Cindy uma pessoa, como já falado antes, extremamente desagradável, desanimada, que muito provavelmente seja assim por não ter tido tempo para amadurecer a idéia de consiliar sua sonhada vida profissional com os desafios de ser mãe e chefa de um lar ao mesmo tempo, e assim, não sabendo dar a devida importância ao seu prestativo marido.
É um projeto tocante, com atuações bem convincentes, repletas de trejeitos que indicam naturalidade, e um curso psicológico que nos faz entender bem os contrastes da relação pré e pós matrimonial. Uma fotografia super adequada, bem calma, fria, passando a idéia de tristeza e monotonia em algumas partes, e extrema castidade passional em outras, trazendo à tela as tonalidades certas para cada sequência.
Me impressionou o fato de o filme, mesmo tendo todos esses elementos tão sentimentais, não ser piegas. Ele simplesmente mostra de forma extremamente válida e relevante o que acontece com duas pessoas depois que se casam, e, a partir desse momento, param de se preocupar em fomentar a paixão, o sentimento, que provavelmente existia no início do relacionamento e que já não existe mais.
Se você é fã de romances reais, com a dose certa de drama e veracidade, ou mesmo se apenas se preocupa com questões interpessoais tão relevantes como essa, Blue Valentine é um ótimo conselho de filme para você assistir e pensar sobre coisas realmente importantes em nossas vidas, que geram sentimento, e sensibilidade, para vivermos de forma mais afável, humana e menos depressiva, preocupando-se sempre com o bem, de forma digna, de um relacionamento com a pessoa amada, pois a problemática e agoniante tristeza contida nesse longa, duvido que seja desejada por alguém.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Water For Elephants (2011)


Ontem fui ao cinema assistir ao filme que eu tanto queria ver. Porque eu realmente estava esperando um romance inusitado em um âmbito diferente, mas que tivesse uma atmosfera parecida com a de The Notebook, aquele romance louco e intenso, que prende o espectador à paixão na tela; e também por ter sabido da existência de um livro sobre e de saber que o mesmo era um best-seller do The New York Times, mas tanta expectativa acabou causando uma certa decepção para mim, e de um jeito ou de outro, eu já sabia que isso iria acontecer.
Até tento não ser preconceituoso, e dar duas, até três chances para um ator que eu sei que é ruim, mas esse é um ponto complicado. Robert Pattinson mostrou mais uma vez ao público que a única atuação aceitável em sua carreira, que aconteceu quando interpretou Cedrico Diggory na série Harry Potter, não consegue mais ser reproduzida, e agora, depois da série Twilight, ele mostrou que não consegue mais passar de um galãzinho teen e que de ator não tem nada.
Mostrou que não tem condições de protagonizar um bom filme, pois ele é completamente inexpressivo e sem graça, assim quebrando sequências que talvez salvassem o erro que foi esta adaptação. Mas antes fosse só a péssima escolha dele como personagem principal; se fosse só isso, o filme ainda teria uma chance de ser bom.
Fotografia inadequada. O filme se passa na década de 30, uma época em que ocorria a Grande Depressão, crise econômica bombástica e devastadora, que destruiu empresas, quebrou grandes investidores e empresários e desestruturou famílias, e até há pequenas "notas" de que era isso o que acontecia durante o filme, mas com uma fotografia tão simples, tão clean, não era possível perceber a importância do fato para com aquilo tudo que estava ocorrendo.
Roteiro pessimamente adaptado. Não li o livro, mas imagino que Sara Gruen ao escrever o romance, sabia sobre o que estava falando, usava de meios para atrair a atenção do leitor e fazer com que percebesse o que se passava. Tenho certeza, também, de que se preocupou em mostrar que estava acontecendo um clima romântico entre as personagens principais, que se traduzia em pequenos atos ou situações ao longo da trama, e não foi o que Richard LaGravenese fez. Em vez de adaptar a obra, acho que teve a "brilhante" idéia de fazer um resumão do livro e simplesmente dar para Francis Lawrence tentar entender e rodar, fazendo até com que ele, Francis, sujasse seu nome com a péssima escolha.
Quando o estúdio se decidiu por gravar o filme, não deve ter imaginado que esse é um tema difícil de atrair a atenção do público, difícil de se fazer entender uma história de amor nessa atmosfera circense, ainda mais com pessoas tão descapacitadas no elenco. Não obstante, nem só de erros foi feito esse filme. O estúdio ganhou um ponto positivo na cotação de um papel: o antagonista eles acertaram em cheio e foi a grande exceção do projeto. Cristoph Waltz foi essa exceção.
Está brilhante, numa atuação que lembra a todos o porquê de ter levado todos os principais prêmios, por unanimidade, quando concorreu a Melhor Ator Coadjuvante por Inglourious Basterds (de Tarantino), e se excluiu do grupinho que levou o projeto à ruína. Porém Reese Witherspoon, não.
Até mesmo ela que é uma excelente atriz e , assim como Waltz, no ano em que concorreu à Melhor Atriz, 2005, por Walk The Line, ganhou por unanimidade, todos os prêmios, reproduziu mal o seu papel, fazendo parte de um casal que não teve química alguma durante o filme todo - e isso é facilmente percebido - fazendo o público questionar-se de seu talento.
O pior de tudo era que o roteiro era tão chinfrim, que era óbvio que não tinha como acontecer aquele romance que estavam tentando enfiar goela abaixo, mas do nada, Robert e Reese se apaixonam, sem mais nem menos, e tudo acaba mudando convenientemente para que o amor acontecesse, subestimando a inteligência de quem assistia.
Apesar de até ter tido suas excessões - a direção, a produção, e Christoph Waltz como antagonista -, me decepcionei com a maioria dos outros pontos técnicos: fotografia, cotação para o elenco, figurino, protagonistas, roteiro (acho que isso foi o que me deixou mais indignado)... São tantas coisas, que eu poderia falar muito mais, mas opto por não, e assim, começo a aprender a não esperar tanto e a não criar tantas expectativas a respeito de um filme, pois, como esse, o filme pode ser ruim.
Fui procurando algum conteúdo, um filme que me acrescentasse algo, que me mostrasse um romance verdadeiro e inesperado numa época tão conturbada e difícil, e que quebrasse um tabu que é tão vivo nos dias de hoje quanto com certeza era na década de 30 (o relacionamento entre pessoas de idades muito diferentes), mas vi só uma boba história de amor que não convence ninguém de sua verossimilhança e de sua falsa e forçada emoção, mas apesar das tão incisivas e julgadoras palavras, é um filme que não faz mal a ninguém, e pode ser assistido tranquilamente como um passatempo, porém, se você me pedir para dizer se eu gostaria de assistir de novo ou não, provavelmente a segunda opção será escolhida.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Babel (2006)


Acabei de assistir ao filme, e inúmeras conclusões e comentários vieram de repente à minha cabeça. Este está longe de ser um filme excepcional, mas é bom, e muito interessante, e tem atuações muito válidas, apesar de certas falhas.
É um roteiro baseado numa história criada pelo diretor Alejandro Iñárritu e seu então parceiro Guillermo Arriaga, que mostra 4 histórias acontecendo em ordens não-cronológicas, em 4 partes diferentes do mundo: Japão, Marrocos, México e Estados Unidos.
Brad Pitt e Cate Blanchett são os protagonistas da trama em uma parte do Marrocos. Gael García Bernal atua como Santiago, sobrinho da babá dos filhos de Brad e Cate, interpretada por Adriana Barraza. Rinko Kikuchi e Koji Yakusho são o cast principal do Japão. E na segunda trama ocorrida no Marrocos, os protagonistas são atores amadores locais.
Achei um filme meio sem propósito, apesar de ter um clima bem pesado e tocante, que instiga o espectador, o faz sentir aquele clima de tristeza, mas que logo é quebrado e o faz perder (pelo menos comigo foi assim) o foco, pois indagamos: "Qual a importância dessa história?". Perguntamo-nos o porquê daquilo à toda hora, e olha que nem é preciso pensar muito durante o filme para concordar comigo.
Com um drama sempre intercalado por aflição e logo em seguida dúvida, preparamo-nos para sequências bem trágicas, pois a atmosfera e a impressão que o filme nos causa, induz a pensar assim, mas a consistência dramática nas histórias é que faz o filme pecar, e talvez tenha sido um dos fatores que não o fez concorrer de forma mais justa com The Departed do Scorsese no Oscar de 2007.
As estrelas do filme (Gael, Brad e Cate) estão ótimos, realmente, e a direção de Iñárritu também está muito boa. Fotografia, locações e até mesmo a continuidade do filme (a partir do roteiro, é claro) são muito boas, mas é a continuidade na história de origem que foi feita de maneira errada.
Filmes como esse, imaginamos no final tirar alguma lição a respeito e não ficar esperando algo mais, explicação do que não ficou claro, fatos a se concluírem. Não me julguem por eu ter esperado o óbvio de um filme do tipo, porque essa não é uma questão de ignorância, e sim uma questão de bom senso, mas é que sem o óbvio já imaginado, a trama fica repleta de lacunas no seu decorrer.
A intensidade das atuações, a falta de foco detalhado, o drama para os clímaxes de cada história, e a mensagem (que até agora acho não existir) foram feitos de forma errada. Não de forma a qual eu não esperava, foram feitos de forma errada, mesmo. Porque por diversas vezes eu comento: "Adorei o filme, muito bom mesmo, mas se eu tivesse a oportunidade, faria diferente." E não foi esse o caso, pois me decepcionou.
Em momento algum disse que é um filme ruim, mas sim quis dizer que é um filme meio morno, por ausência dos pontos antes citados. Pois em vez de o terem rodado dessa forma, digo "drama por drama", sem inferência além na obra, poderiam ter criado uma coisa altamente relevante, pois é uma história criativa, e uma produção que contou com o apoio de grandes atores que poderiam incrementar ainda mais.
Poderiam ter interligado as histórias, atribuído um valor emocional, porém inteligente, maior. Poderiam ter usado de uma variedade de sentidos possíveis a partir simplesmente do título do filme, já que Babel remete-nos à história da construção da torre, que, após dar errado, ocasionou na diversidade lingüística, que é apresentada no filme pela presença de 4 idiomas distintos.
Seria genial, seria único, talvez ficasse para a história. Havia diversas formas inovadoras para realizar a trama, mas nenhuma foi sequer cogitada, não pelo que parece, não pelo que eu vi.
Iñárritu errou, mas não deixa de ser um ótimo diretor, que realizou um bom trabalho neste filme e contou com a participação de ótimos profissionais apoiando-no, mas se eu tivesse que dar uma nota, seria um apagado 7,5. Nada a mais, nada a menos.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar 2011: erros, acertos e comentários.


Ontem foi a cerimônia de entrega do Oscar. Glamour e talento de sobra reunidos no Kodak Theater em Hollywood, para prestigiar e premiar os melhores - ou pelo menos deveria ser assim - do ano, no cinema americano.
A festa desse ano, sem dúvida alguma, foi muito melhor, e muito mais justa, que as dos anos anteriores, pois teve concorrentes de peso em todas as categorias. Filmes que realmente mereciam todo reconhecimento disponível, mas como é de praxe no Oscar, a injustiça sempre aparece para estragar parte da premiação.
Todos sabem que não podemos dar 100% de prestígio - talvez nem perto disso - ao Oscar, pois o critério de escolha da maioria dos votantes é rentabilidade e não arte e técnica, como deveria ser. Sabemos que filmes que mereciam um pouco mais de notoriedade, às vezes são esquecidos por conta de existirem os favoritos da Academia, e é justamente nessas horas que ocorrem as grandes gafes da festa.
Para começar, acho que o maior erro de todos, esse ano, além de não terem indicado Christopher Nolan à Melhor Direção, foi terem esquecido completamente do Scorsese com o seu maravilhoso trabalho em Shutter's Island. O filme simplesmente não foi indicado a nada, em quase nenhuma premiação, e com o Oscar não foi diferente. Só acho hipocrisia, daqui a uns anos, quererem dar prêmios honorários a esses gênios do cinema pelo "conjunto de sua obra", tendo esquecido deles durante uma vida de premiação.
Meus dois primeiros palpites errados foram em Melhor Direção De Arte e Melhor Figurino. Alice In Wonderland desbancou The King's Speech e Inception, em direção de arte, e The King's Speech e True Grit em figurino. Fiquei meio sem palavras, mas sobre esses prêmios nem vou comentar. Por outro lado, houve surpresas boas.
Minha aposta para Melhor Fotografia eram Black Swan (primeira opção) e True Grit (segunda opção), mas o prêmio não foi para nenhum dos dois, foi para Inception, e de forma muito merecida. Achei que Inception fosse ser esquecido pela Academia, porque apesar de ser considerado um filme ótimo por qualquer pessoa sensata que goste de cinema, foi esquecido em certas categorias, como a antes citada Melhor Direção, mas se teve um erro, que talvez fora o mais imperdoável de todos, na noite, foi o de Melhor Roteiro Original.
Achei que quiseram evidenciar de forma forçada The King's Speech como o grande soberano da noite e deram prêmios muitíssimo importantes ao filme, os quais o filme não merecia tanto assim, pois existiam candidatos melhores - não desmerecendo, pois acho esse uma das obras mais notáveis produzidas em 2010 - que mereciam mais, levar esse prêmio.
Melhor Roteiro Original, e eu achava que seria mais um prêmio com vencedor óbvio como Melhor Animação ou Melhor Ator, mas quando sai o resultado: The King's Speech. Eu fiquei com uma grande interrogação na cabeça e fiquei me perguntando o porquê disso ter acontecido, se o roteiro de Inception é visivelmente superior, mas não desanimei e logo me conformei, mas esperando: se isso tinha acontecido, eu já esperava por mais maluquices.
Os prêmios foram acontecendo e eu vou ser-lhes bem sincero: eu estava adorando os vencedores e concordando com todos, praticamente. Melissa Leo e Christian Bale para Melhor Coadjuvante, foram ótimas e merecidíssimas escolhas, estavam impecáveis em The Fighter. Melhor Montagem para The Social Network, que era o meu favorito na noite, e apesar de nesse prêmio eu ter escolhido 127 Hours e Black Swan como primeira e segunda opções, respectivamente, pois mereciam muito mais, The Social Network era a minha terceira opção, por ser um filme muito bem feito, meu preferido, então o Oscar estava em boas mãos, também.
O prêmio de Melhor Filme nem tenho muito a comentar, porque apesar de eu querer demais que The Social Network levasse, The King's Speech é uma obra de arte, é lindo, produzido com maestria por uma equipe de excelentes profissionais, que desempenharam um ótimo trabalho no longa, mas é aí que vem a grande polêmica da noite, no prêmio que precedeu este: Melhor Direção.
Já é a terceira vez que menciono Christopher Nolan, mas ainda não me conformo dele nem sequer ter sido indicado à essa categoria, e pra completar, quem leva o prêmio, é talvez a minha última escolha: Tom Hooper.
O cara é bom, fez um bom trabalho e tudo mais, mas entendam a minha indignação: diretores muito mais geniais como Scorsese, que não foi indicado a nada, mereciam mais que o Hooper. Christopher Nolan que nem foi indicado a essa categoria, merecia muito mais que qualquer um que ali estava concorrendo, mas se alguém deveria ganhar o prêmio de Melhor Direção, dentre os participantes, esse, de longe, e sem dúvida alguma tinha nome, e seu nome é David Fincher (talvez Darren Aronofsky, pelo brilhante trabalho em Black Swan, mas o filme não estava com muita moral na noite).
David conseguiu fazer um filme primoroso, que tinha muito para dar errado, por ser um filme sobre adolescentes, que retrata a história da criação de um site de relacionamento, e que poderia ser realizado da forma mais banal, tosca e previsível possível, mas não, provou que o seu talento como diretor é muito superior, e reuniu uma equipe de exímios profissionais que o ajudaram a tornar essa idéia em arte.
O prêmio era do Fincher - talvez do Darren - e ponto, poderia continuar dando os meus porquês, mas seria só um alogamento do meu pleonasmo, então resumo, e deixo aqui o meu parecer da premiação: O filme que mais merecia reconhecimento era, indubitavelmente, Inception. O filme de maior hype foi The King's Speech. Não que não seja um filme bom, é sim, ótimo, mas Melhor Direção e Melhor Roteiro Original? Isso foi forçação de barra. E o resto eu gostei, gostei muito mesmo, fiquei satisfeito com as escolhas deste ano e espero que no ano que vem a festa seja tão boa quanto. É isso.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

The King's Speech (2010) [com spoiler]


Dispensa muitas aprensentações, e segue uma linha de filmes dramáticos que não é bem o modelo mais comum em Hollywood, mas The King's Speech, sem dúvida, é uma obra que com certeza será um fortíssimo candidato ao Oscar no ano de 2011.
Lionel Logue (interpretado por Geoffrey Rush) é um ator "aposentado" - que encontrou outra utilidade para seu talento no período em que exercia tal profissão - que após a Primeira Guerra, teve a oportunidade de devolver o dom da boa fala aos soldados que voltavam do embate, reinstituindo-lhes eloquência e dicção, ambas perdidas pelo sofrimento da batalha.
Albert (papel muitíssimo bem interpretado por Colin Firth) é o segundo filho de George V, chefe da Família Real Inglesa e, conseqüentemente, rei da Inglaterra, e tem um problema desde a infância: a gagueira. Não só esse problema como inúmeros outros, mas teve a infelicidade de todas as suas dificuldades terem sido potencializadas por culpa de sua permanente condição.
Sua família caçoava e o punia por esses "defeitos", tendo ele sofrido muito. Era canhoto, mas o obrigavam a aprender como ser destro. Tinha joelhos para dentro, mas o pai o obrigava a usar talas de metal para consertar o problema, processo esse que, naturalmente, era muito doloroso. Tais informações, aparentemente de pouca relevância, são necessárias para entender o quão sofrido Albert cresceu.
Ele era Duque de York, e, como era da Família Real, tinha certas obrigações públicas, como discursos, e é aí então que vem todo o drama pessoal no filme.
Disse anteriormente que este filme segue uma linha não muito adotada pelos filmes de Hollywood, é um drama não muito convencional, do mesmo jeito que foi feito The Blind Side no ano de 2009, (filme em que Sandra Bullock sagrou-se Melhor Atriz no Oscar e em outras premiações) pois não é cheio de sequências fortes, com gritos, espasmos, diálogos intensos e agonia por conta de todos esses fatores, é apenas uma história real de uma barreira/drama pessoal sendo posta em evidência.
Enfim, retomando, o ato de discursar parece ser impossível para Albert, pois ele é gago, é bipolar, nervoso... E durante o filme, acontecem diversos fatos que recheariam as linhas se não fossem de pouca relevância para uma crítica. E então ele conhece Lionel.
Jurando que o Sr. Logue era um doutor especializado em fonoaudiologia, ele lhe dá crédito para ajudá-lo com seu problema de gagueira, mas os métodos do ator são muito "heterodoxos", fato que proporciona boas sequências de humor durante o filme.
Se Lionel não fosse tão ousado, audaz e impetuoso, talvez essa parceria não desse muito certo, porque o Duque não dava brechas. Era introvertido, sério, rigoroso e não se permitia, nem a ninguém mais, tomar liberdades, porém o velho ator foi insistente, e conseguiu um ótimo progresso com "Bertie". (Albert era chamado assim pelos íntimos)
O filme mostra que a maior qualidade de um rei, de um chefe, do tipo que for, não deve ser sua integridade, sua moral, seu decoro, tampouco a importância de sua própria coroa, de sua autoridade, mas sim, o dom da fala. Mostra que é possível conquistar o respeito, o mundo, com as palavras certas, no momento certo, e mostra que não importa a dificuldade que exista para que esse dom venha à tona, quando é para ser, com certeza será.
Tom Hooper está de parabéns pelo incrível trabalho de direção nesse filme, e David Seidler, com mais moral ainda, recebe minha nota 10 por ter escrito essa obra quase que impassiva à falhas. Assistam, pois não vão se arrepender.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

The Box (2010)


Eu nem sei sobre o que começar a falar, se simplesmente distribuo ofensas gratuitas ou se explico minha opinião, mas essse filme é sem dúvida um dos piores filmes que você poderá ver, e você vai saber o porquê disso.
"O que você faria se lhe entregassem uma caixa com apenas um botão e que se você o apertasse lhe deixaria milionário, mas, ao mesmo tempo, tirasse a vida de alguém que você não conhece?", enredo bem bolado, né? Poderia até ser, se Richard Kelly não usasse tão mal a verba disponível para a gravação e estragasse o que poderia ser um filme realmente interessante, subestimando a inteligência de quem assiste.
A Caixa é um filme cheio de erros de continuidade, cheio de fatos irrelevantes e de revéses inexplicáveis por conta de toda a maldição acerca do fato de apertar ou não apertar um botão, de ser ou não ser egoísta e outras besteiras a mais, passadas e clichês. Pois imagina só: o que uma caixa, tem a ver com uma inexplicável agonia relacionada à muita água, que tem a ver com um mercador do mal, que trabalha para um ser desconhecido do além, e que desfruta da habilidade de ser onipotente, onipresente e onisciente, tudo isso pra provar que a humanidade não presta... Putz, nem sei o que falar, me dá vontade de rir, isso sim! Apesar de todos os grotescos erros, o que achei mais impressionante foi a falta de explicação dos fatos. Tudo acontece por simples conveniência, não explicam por que todo mundo trabalha pro tal cara da maleta, não explicam a relação que água e uma escolha de portas feitas de água tem a ver com um aluno muito estranho, que no início do filme humilha a então professorinha Cameron Diaz, e depois fica aparecendo em takes bizarros pra dar um ar medonho na trama, sem sucesso é claro. Não explicam por que a babá do filho da Cameron com o James, tá envolvida nisso tudo, e o porquê de ela ter mentido sobre seu nome e sobre o lugar onde mora. Tá, tudo bem, eu sei que é pra dar aquela deixa do "morre uma pessoa que você não conhece", mas por que justo a babá? Achei desnecessário e forçado, mais uma vez. Não dizem como todos as pessoas simplesmente começam a agir como zumbis e de forma estranha quando eles, "por acaso", estão em um local bem propício a um terror repentino e besta, sempre em lugares com aquela fotografia soturna e misteriosa.
Não vou estragar o final contando o que me deixou mais indignado, porque esse filme já é uma porcaria, então deixo vocês assistirem e verem as barbaridades que o diretor tenta colocar em nossas cabeças de todos os jeito pra acharmos que aquilo está normal, super explicável e bem feito. Sonho dele, só pode!
Kelly tenta de forma bastante forçada, imprimir o mistério e o medo nesse filme de quinta, mas o máximo que consegue, é mostrar que só o que poderia superar a baixíssima qualidade técnica desse filme, e a incompetência dele como diretor, seria a também baixíssima qualidade dramática do elenco escolhido por ele, porque pra mim, Cameron Diaz vai ser eternamente a palhacinha de Hollywood, e James Marsden vai morrer um X-Men. É isso.