quarta-feira, 30 de março de 2011

Babel (2006)


Acabei de assistir ao filme, e inúmeras conclusões e comentários vieram de repente à minha cabeça. Este está longe de ser um filme excepcional, mas é bom, e muito interessante, e tem atuações muito válidas, apesar de certas falhas.
É um roteiro baseado numa história criada pelo diretor Alejandro Iñárritu e seu então parceiro Guillermo Arriaga, que mostra 4 histórias acontecendo em ordens não-cronológicas, em 4 partes diferentes do mundo: Japão, Marrocos, México e Estados Unidos.
Brad Pitt e Cate Blanchett são os protagonistas da trama em uma parte do Marrocos. Gael García Bernal atua como Santiago, sobrinho da babá dos filhos de Brad e Cate, interpretada por Adriana Barraza. Rinko Kikuchi e Koji Yakusho são o cast principal do Japão. E na segunda trama ocorrida no Marrocos, os protagonistas são atores amadores locais.
Achei um filme meio sem propósito, apesar de ter um clima bem pesado e tocante, que instiga o espectador, o faz sentir aquele clima de tristeza, mas que logo é quebrado e o faz perder (pelo menos comigo foi assim) o foco, pois indagamos: "Qual a importância dessa história?". Perguntamo-nos o porquê daquilo à toda hora, e olha que nem é preciso pensar muito durante o filme para concordar comigo.
Com um drama sempre intercalado por aflição e logo em seguida dúvida, preparamo-nos para sequências bem trágicas, pois a atmosfera e a impressão que o filme nos causa, induz a pensar assim, mas a consistência dramática nas histórias é que faz o filme pecar, e talvez tenha sido um dos fatores que não o fez concorrer de forma mais justa com The Departed do Scorsese no Oscar de 2007.
As estrelas do filme (Gael, Brad e Cate) estão ótimos, realmente, e a direção de Iñárritu também está muito boa. Fotografia, locações e até mesmo a continuidade do filme (a partir do roteiro, é claro) são muito boas, mas é a continuidade na história de origem que foi feita de maneira errada.
Filmes como esse, imaginamos no final tirar alguma lição a respeito e não ficar esperando algo mais, explicação do que não ficou claro, fatos a se concluírem. Não me julguem por eu ter esperado o óbvio de um filme do tipo, porque essa não é uma questão de ignorância, e sim uma questão de bom senso, mas é que sem o óbvio já imaginado, a trama fica repleta de lacunas no seu decorrer.
A intensidade das atuações, a falta de foco detalhado, o drama para os clímaxes de cada história, e a mensagem (que até agora acho não existir) foram feitos de forma errada. Não de forma a qual eu não esperava, foram feitos de forma errada, mesmo. Porque por diversas vezes eu comento: "Adorei o filme, muito bom mesmo, mas se eu tivesse a oportunidade, faria diferente." E não foi esse o caso, pois me decepcionou.
Em momento algum disse que é um filme ruim, mas sim quis dizer que é um filme meio morno, por ausência dos pontos antes citados. Pois em vez de o terem rodado dessa forma, digo "drama por drama", sem inferência além na obra, poderiam ter criado uma coisa altamente relevante, pois é uma história criativa, e uma produção que contou com o apoio de grandes atores que poderiam incrementar ainda mais.
Poderiam ter interligado as histórias, atribuído um valor emocional, porém inteligente, maior. Poderiam ter usado de uma variedade de sentidos possíveis a partir simplesmente do título do filme, já que Babel remete-nos à história da construção da torre, que, após dar errado, ocasionou na diversidade lingüística, que é apresentada no filme pela presença de 4 idiomas distintos.
Seria genial, seria único, talvez ficasse para a história. Havia diversas formas inovadoras para realizar a trama, mas nenhuma foi sequer cogitada, não pelo que parece, não pelo que eu vi.
Iñárritu errou, mas não deixa de ser um ótimo diretor, que realizou um bom trabalho neste filme e contou com a participação de ótimos profissionais apoiando-no, mas se eu tivesse que dar uma nota, seria um apagado 7,5. Nada a mais, nada a menos.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Oscar 2011: erros, acertos e comentários.


Ontem foi a cerimônia de entrega do Oscar. Glamour e talento de sobra reunidos no Kodak Theater em Hollywood, para prestigiar e premiar os melhores - ou pelo menos deveria ser assim - do ano, no cinema americano.
A festa desse ano, sem dúvida alguma, foi muito melhor, e muito mais justa, que as dos anos anteriores, pois teve concorrentes de peso em todas as categorias. Filmes que realmente mereciam todo reconhecimento disponível, mas como é de praxe no Oscar, a injustiça sempre aparece para estragar parte da premiação.
Todos sabem que não podemos dar 100% de prestígio - talvez nem perto disso - ao Oscar, pois o critério de escolha da maioria dos votantes é rentabilidade e não arte e técnica, como deveria ser. Sabemos que filmes que mereciam um pouco mais de notoriedade, às vezes são esquecidos por conta de existirem os favoritos da Academia, e é justamente nessas horas que ocorrem as grandes gafes da festa.
Para começar, acho que o maior erro de todos, esse ano, além de não terem indicado Christopher Nolan à Melhor Direção, foi terem esquecido completamente do Scorsese com o seu maravilhoso trabalho em Shutter's Island. O filme simplesmente não foi indicado a nada, em quase nenhuma premiação, e com o Oscar não foi diferente. Só acho hipocrisia, daqui a uns anos, quererem dar prêmios honorários a esses gênios do cinema pelo "conjunto de sua obra", tendo esquecido deles durante uma vida de premiação.
Meus dois primeiros palpites errados foram em Melhor Direção De Arte e Melhor Figurino. Alice In Wonderland desbancou The King's Speech e Inception, em direção de arte, e The King's Speech e True Grit em figurino. Fiquei meio sem palavras, mas sobre esses prêmios nem vou comentar. Por outro lado, houve surpresas boas.
Minha aposta para Melhor Fotografia eram Black Swan (primeira opção) e True Grit (segunda opção), mas o prêmio não foi para nenhum dos dois, foi para Inception, e de forma muito merecida. Achei que Inception fosse ser esquecido pela Academia, porque apesar de ser considerado um filme ótimo por qualquer pessoa sensata que goste de cinema, foi esquecido em certas categorias, como a antes citada Melhor Direção, mas se teve um erro, que talvez fora o mais imperdoável de todos, na noite, foi o de Melhor Roteiro Original.
Achei que quiseram evidenciar de forma forçada The King's Speech como o grande soberano da noite e deram prêmios muitíssimo importantes ao filme, os quais o filme não merecia tanto assim, pois existiam candidatos melhores - não desmerecendo, pois acho esse uma das obras mais notáveis produzidas em 2010 - que mereciam mais, levar esse prêmio.
Melhor Roteiro Original, e eu achava que seria mais um prêmio com vencedor óbvio como Melhor Animação ou Melhor Ator, mas quando sai o resultado: The King's Speech. Eu fiquei com uma grande interrogação na cabeça e fiquei me perguntando o porquê disso ter acontecido, se o roteiro de Inception é visivelmente superior, mas não desanimei e logo me conformei, mas esperando: se isso tinha acontecido, eu já esperava por mais maluquices.
Os prêmios foram acontecendo e eu vou ser-lhes bem sincero: eu estava adorando os vencedores e concordando com todos, praticamente. Melissa Leo e Christian Bale para Melhor Coadjuvante, foram ótimas e merecidíssimas escolhas, estavam impecáveis em The Fighter. Melhor Montagem para The Social Network, que era o meu favorito na noite, e apesar de nesse prêmio eu ter escolhido 127 Hours e Black Swan como primeira e segunda opções, respectivamente, pois mereciam muito mais, The Social Network era a minha terceira opção, por ser um filme muito bem feito, meu preferido, então o Oscar estava em boas mãos, também.
O prêmio de Melhor Filme nem tenho muito a comentar, porque apesar de eu querer demais que The Social Network levasse, The King's Speech é uma obra de arte, é lindo, produzido com maestria por uma equipe de excelentes profissionais, que desempenharam um ótimo trabalho no longa, mas é aí que vem a grande polêmica da noite, no prêmio que precedeu este: Melhor Direção.
Já é a terceira vez que menciono Christopher Nolan, mas ainda não me conformo dele nem sequer ter sido indicado à essa categoria, e pra completar, quem leva o prêmio, é talvez a minha última escolha: Tom Hooper.
O cara é bom, fez um bom trabalho e tudo mais, mas entendam a minha indignação: diretores muito mais geniais como Scorsese, que não foi indicado a nada, mereciam mais que o Hooper. Christopher Nolan que nem foi indicado a essa categoria, merecia muito mais que qualquer um que ali estava concorrendo, mas se alguém deveria ganhar o prêmio de Melhor Direção, dentre os participantes, esse, de longe, e sem dúvida alguma tinha nome, e seu nome é David Fincher (talvez Darren Aronofsky, pelo brilhante trabalho em Black Swan, mas o filme não estava com muita moral na noite).
David conseguiu fazer um filme primoroso, que tinha muito para dar errado, por ser um filme sobre adolescentes, que retrata a história da criação de um site de relacionamento, e que poderia ser realizado da forma mais banal, tosca e previsível possível, mas não, provou que o seu talento como diretor é muito superior, e reuniu uma equipe de exímios profissionais que o ajudaram a tornar essa idéia em arte.
O prêmio era do Fincher - talvez do Darren - e ponto, poderia continuar dando os meus porquês, mas seria só um alogamento do meu pleonasmo, então resumo, e deixo aqui o meu parecer da premiação: O filme que mais merecia reconhecimento era, indubitavelmente, Inception. O filme de maior hype foi The King's Speech. Não que não seja um filme bom, é sim, ótimo, mas Melhor Direção e Melhor Roteiro Original? Isso foi forçação de barra. E o resto eu gostei, gostei muito mesmo, fiquei satisfeito com as escolhas deste ano e espero que no ano que vem a festa seja tão boa quanto. É isso.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

The King's Speech (2010) [com spoiler]


Dispensa muitas aprensentações, e segue uma linha de filmes dramáticos que não é bem o modelo mais comum em Hollywood, mas The King's Speech, sem dúvida, é uma obra que com certeza será um fortíssimo candidato ao Oscar no ano de 2011.
Lionel Logue (interpretado por Geoffrey Rush) é um ator "aposentado" - que encontrou outra utilidade para seu talento no período em que exercia tal profissão - que após a Primeira Guerra, teve a oportunidade de devolver o dom da boa fala aos soldados que voltavam do embate, reinstituindo-lhes eloquência e dicção, ambas perdidas pelo sofrimento da batalha.
Albert (papel muitíssimo bem interpretado por Colin Firth) é o segundo filho de George V, chefe da Família Real Inglesa e, conseqüentemente, rei da Inglaterra, e tem um problema desde a infância: a gagueira. Não só esse problema como inúmeros outros, mas teve a infelicidade de todas as suas dificuldades terem sido potencializadas por culpa de sua permanente condição.
Sua família caçoava e o punia por esses "defeitos", tendo ele sofrido muito. Era canhoto, mas o obrigavam a aprender como ser destro. Tinha joelhos para dentro, mas o pai o obrigava a usar talas de metal para consertar o problema, processo esse que, naturalmente, era muito doloroso. Tais informações, aparentemente de pouca relevância, são necessárias para entender o quão sofrido Albert cresceu.
Ele era Duque de York, e, como era da Família Real, tinha certas obrigações públicas, como discursos, e é aí então que vem todo o drama pessoal no filme.
Disse anteriormente que este filme segue uma linha não muito adotada pelos filmes de Hollywood, é um drama não muito convencional, do mesmo jeito que foi feito The Blind Side no ano de 2009, (filme em que Sandra Bullock sagrou-se Melhor Atriz no Oscar e em outras premiações) pois não é cheio de sequências fortes, com gritos, espasmos, diálogos intensos e agonia por conta de todos esses fatores, é apenas uma história real de uma barreira/drama pessoal sendo posta em evidência.
Enfim, retomando, o ato de discursar parece ser impossível para Albert, pois ele é gago, é bipolar, nervoso... E durante o filme, acontecem diversos fatos que recheariam as linhas se não fossem de pouca relevância para uma crítica. E então ele conhece Lionel.
Jurando que o Sr. Logue era um doutor especializado em fonoaudiologia, ele lhe dá crédito para ajudá-lo com seu problema de gagueira, mas os métodos do ator são muito "heterodoxos", fato que proporciona boas sequências de humor durante o filme.
Se Lionel não fosse tão ousado, audaz e impetuoso, talvez essa parceria não desse muito certo, porque o Duque não dava brechas. Era introvertido, sério, rigoroso e não se permitia, nem a ninguém mais, tomar liberdades, porém o velho ator foi insistente, e conseguiu um ótimo progresso com "Bertie". (Albert era chamado assim pelos íntimos)
O filme mostra que a maior qualidade de um rei, de um chefe, do tipo que for, não deve ser sua integridade, sua moral, seu decoro, tampouco a importância de sua própria coroa, de sua autoridade, mas sim, o dom da fala. Mostra que é possível conquistar o respeito, o mundo, com as palavras certas, no momento certo, e mostra que não importa a dificuldade que exista para que esse dom venha à tona, quando é para ser, com certeza será.
Tom Hooper está de parabéns pelo incrível trabalho de direção nesse filme, e David Seidler, com mais moral ainda, recebe minha nota 10 por ter escrito essa obra quase que impassiva à falhas. Assistam, pois não vão se arrepender.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

The Box (2010)


Eu nem sei sobre o que começar a falar, se simplesmente distribuo ofensas gratuitas ou se explico minha opinião, mas essse filme é sem dúvida um dos piores filmes que você poderá ver, e você vai saber o porquê disso.
"O que você faria se lhe entregassem uma caixa com apenas um botão e que se você o apertasse lhe deixaria milionário, mas, ao mesmo tempo, tirasse a vida de alguém que você não conhece?", enredo bem bolado, né? Poderia até ser, se Richard Kelly não usasse tão mal a verba disponível para a gravação e estragasse o que poderia ser um filme realmente interessante, subestimando a inteligência de quem assiste.
A Caixa é um filme cheio de erros de continuidade, cheio de fatos irrelevantes e de revéses inexplicáveis por conta de toda a maldição acerca do fato de apertar ou não apertar um botão, de ser ou não ser egoísta e outras besteiras a mais, passadas e clichês. Pois imagina só: o que uma caixa, tem a ver com uma inexplicável agonia relacionada à muita água, que tem a ver com um mercador do mal, que trabalha para um ser desconhecido do além, e que desfruta da habilidade de ser onipotente, onipresente e onisciente, tudo isso pra provar que a humanidade não presta... Putz, nem sei o que falar, me dá vontade de rir, isso sim! Apesar de todos os grotescos erros, o que achei mais impressionante foi a falta de explicação dos fatos. Tudo acontece por simples conveniência, não explicam por que todo mundo trabalha pro tal cara da maleta, não explicam a relação que água e uma escolha de portas feitas de água tem a ver com um aluno muito estranho, que no início do filme humilha a então professorinha Cameron Diaz, e depois fica aparecendo em takes bizarros pra dar um ar medonho na trama, sem sucesso é claro. Não explicam por que a babá do filho da Cameron com o James, tá envolvida nisso tudo, e o porquê de ela ter mentido sobre seu nome e sobre o lugar onde mora. Tá, tudo bem, eu sei que é pra dar aquela deixa do "morre uma pessoa que você não conhece", mas por que justo a babá? Achei desnecessário e forçado, mais uma vez. Não dizem como todos as pessoas simplesmente começam a agir como zumbis e de forma estranha quando eles, "por acaso", estão em um local bem propício a um terror repentino e besta, sempre em lugares com aquela fotografia soturna e misteriosa.
Não vou estragar o final contando o que me deixou mais indignado, porque esse filme já é uma porcaria, então deixo vocês assistirem e verem as barbaridades que o diretor tenta colocar em nossas cabeças de todos os jeito pra acharmos que aquilo está normal, super explicável e bem feito. Sonho dele, só pode!
Kelly tenta de forma bastante forçada, imprimir o mistério e o medo nesse filme de quinta, mas o máximo que consegue, é mostrar que só o que poderia superar a baixíssima qualidade técnica desse filme, e a incompetência dele como diretor, seria a também baixíssima qualidade dramática do elenco escolhido por ele, porque pra mim, Cameron Diaz vai ser eternamente a palhacinha de Hollywood, e James Marsden vai morrer um X-Men. É isso.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Signs (2002)


Já no clima de "The Last Airbender", esperando mais um ótimo trabalho desse diretor que já realizou grandes projetos como "The Sixth Sense" e "The Village", há algumas semanas vi, hoje revi e então comprovei o que ainda não tinha constatado: Apesar de ser um enredo pobre e batido, "Sinais" possui grandes qualidades técnicas e um processo de criação realmente incrível, que o faz quase que completamente livre de falhas ou fatos absurdos e sem explicação, o que o torna um filme que vale muito a pena assistir se você se liga em tais pontos.
Contato direto com vida extraterrestre, OVNIs, seres interplanetários e coisas relacionadas, tudo é coisa que muito atrai os estadounidenses desde sempre, mas Shyamalan conseguiu tratar de tal assunto de uma maneira tão inovadora que até quem não se impressiona com coisas do tipo, como eu, para causar terror, sente certo desconforto com os takes realizados no decorrer do longa.
Evidenciando vultos relacionados às imagens das criaturas, tirando grandes detalhes da linha de alcance do vídeo e se preocupando principalmente com um suspense consistente sem terror gratuito para os espectadores, ele combinou a sua grande habilidade como diretor à sua grande habilidade como roteirista, e criou um filme contrário ao que esperava a crítica: o que era pra ser mais um blockbuster sem conteúdo provindo de estúdios norte-americanos, superou as expectativas de um grande público e mereceu, e ainda merece, uma atenção especial de quem vê.
É um filme muito polêmico que mostra a história do pastor Graham, interpretado por Mel Gibson, perdendo a fé e a vontade de continuar em tal cargo por presenciar sua esposa em seus minutos finais, após um acidente causado por um motorista adormecido no volante, no filme interpretado pelo próprio Shyamalan.
Graham e seu irmão Merril, feito por Joaquin Phoenix, são fazendeiros, ou pelo menos algo do tipo, pois moram numa casa no meio de uma plantação de milho da qual cuidam. Juntos de sua família, composta por mais dois membros, Morgan e Bo, levam uma vida simples e sem excedências, porém possuem um "fantasma" do passado em suas vidas, relacionado à morte de Colin, esposa de Graham, fato esse que no âmbito do filme ocorreu há algo em torno de 6 meses.
Estranhos símbolos, da noite pro dia, apareceram na plantação da família e coincidentemente em outras plantações no mundo todo, causando um certo tipo de dúvida em relação à origem dos mesmos, e as pessoas começavam a se perguntar: "Será que os alienígenas invadiram a terra?", "Será que é só um bando de moleques sem mais nada de útil pra fazer causando esse alvoroço todo?". Em meio a tanta dúvida e discussão, fatos como aparições de seres estranhos, luzes ininterruptas no céu à noite, comportamento estranho de animais e captação de frequências vocais que mais parecem um tipo de dialeto alienígena, tudo começa a se confirmar cada vez mais para as pessoas e a causar uma certa histeria na população.
O filme inteiro é interessante por conter certos acontecimentos que à primeira vista são banais e desimportantes, mas à medida que as coisas vão acontecendo, no fim do filme o espectador percebe que tudo foi importante para um melhor entendimento, e vê que qualquer menção ou fato simples que o filme poderia conter foi super necessário.
Sem dúvida é um filme bem bolado, e tanto a criatividade quanto a competência do diretor não podem ser contestadas, pois ele conseguiu fazer algo aparentemente ridículo e sem explicação, a não ser para ufólogos e outros tipos de estudiosos, parecer uma coisa interessante, pertinente e livre de qualquer aspecto grotesco que poderia pairar próximo ao assunto. Ele consegue arranjar todos os fatos da trama em um punhado só, não deixando lacunas, fazendo as coisas serem interligadas com perfeição, tal como os núcleos de tele-novelas (que comparação ridícula, eu sei), e dá explicações plausíveis às coisas absurdas que se referiam a tal assunto.
Em plena sexta-feira 13, fica essa ótima dica a quem quiser assistir um bom filme de Suspense/Terror, tendo em vista que é raro tal acontecimento no mundo do cinema. Recomendo!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Requiem For A Dream (2000)


Dos mistérios da cabeça de Darren Aronofsky para a tela do cinema, este filme conta uma história intrigante, forte, porém pertinente, de um mundo que parece longe de nossa realidade, mas se levarmos em conta os dias que seguem, o cotidiano de dependentes químicos é mais comum a nós do que pensamos.
Harry (Jared Leto) é um jovem viciado, criado numa família completamente desestruturada, cuja chefe da mesma é uma senhora alienada por programas televisivos, que não tem perspectiva nenhuma de vida, e apenas faz suas atividades de praxe, corriqueiras, enquanto espera em paz, e na monotonia, o resto de seus dias terminarem. Esta é Sara Goldfarb.
Ellen Burstyn, que representa Sara no filme, desenvolve um papel tão perfeito e envolvente que, ao longo do filme, o espectador acaba sofrendo com as suas desgraças e ficando mal por todo o sofrimento que é posto em cena sentido pela personagem, fazendo com que esse seja um dos pontos que levaram a atriz à indicação do Oscar de Melhor Atriz no ano de 2001.
Certa hora do filme (essa foi uma das cenas que me marcaram muito), quando Harry descobre que sua mãe, Sara, está tomando pílulas à base de anfetamina para emagrecer, pois ela queria muito caber em um vestido vermelho antigo para aparecer no programa de televisão que tanto via e então fora convidada a participar, ele discute com ela e diz que aqueles remédios farão com que ela se vicie, pois já dava pra perceber os efeitos colaterais do mesmo, como aquele irritante "range-range" que fazia com os dentes. Ela, então, casta, inocente e muito sofrida, solta uma frase inesquecível, memorável, algo do tipo de: "Não me importo com isso, o que importa é que estou me sentindo bem, estou me sentindo viva, ótima! Seu pai, Seymour, morreu e você me deixou, pra viver sozinho com seus amigos, ter sua vida, suas experiências, e a oportunidade de aparecer nesse programa me deu um gás a mais, me incentivou a querer emagrecer, a dormir e acordar todos os dias esperando algo sólido, sem que eu ficasse aqui só fazendo as mesmas atividades, lavando a louça, fazendo a cama, pra ninguém. Eu faço, mas pra quem? Não tinha necessidade de nada disso, já que eu sou sozinha, te peço que entenda, meu filho, apenas entenda."
É um filme bem consistente e realista, uma obra-prima que mostra que antes de terminar, a vida de pessoas sem perspectiva, como o quarteto principal (que além de Jared Leto e Ellen Burstyn, ainda tem Marlon Wayans e Jennifer Connelly), tem um fim terrível e angustiante que faz com que eles tenham que viver sem o resto de sua dignidade e com uma sobrevida vergonhosa para quem observa.
Esse é um ótimo filme que eu com certeza recomendo!