Esperar pouca coisa ou uma surpresa ruim? Não vindo de Sam Mendes. Um diretor que tem na bagagem um filme como American Beauty (grande vencedor do Oscar de 1999) é no mínimo justificável que no comando de uma super produção fruto de uma parceria não tão menor entre Metro Goldwyn Mayer e Columbia tenha desempenhado um trabalho primoroso e grandioso, digno de reconhecimento devido.
A improbidade de outros responsáveis pelo desenrolar dos roteiros nesta saga de mais de 20 filmes pode ter dado, ao longo dos anos, uma certa infâmia ao agente mais famoso do Reino Unido, mas desde que Pierce Brosnan saiu do papel de James Bond e cedeu a vez a Daniel Craig (que, no caso, diz repeito ao tempo em que eu acompanho a saga integralmente) os filmes tomaram um rumo muito mais qualitativo que quantitativo, se é que vocês me entendem, e o entretenimento, que nunca vai ser deixado de lado, e que não pôde deixar de acontecer com clichês vis em Skyfall, não é nem de longe um empecilho para que existam pontos fortes que hoje estão presentes nos filmes, e que antes não eram vistos com "olhos de lucro" e como sucesso em potencial.
A dupla Neal Purvis e Robert Wade ataca novamente no comando do roteiro, e trazem à tona questões muito relevantes e factuais na vida de um agente como 007. A senescência, a crise da meia-idade e outros conluios bem metafísicos jogam a trama num clima denso e inspirador que dá um toque de seriedade na medida certa para a série, e nos faz pensar que era o ingrediente que faltava para a aclamação da crítica num filme de James Bond. O clima tenso que o vilão Raoul Silva, interpretado pelo grande e mais uma vez impecável Javier Bardem, deixa também é algo que faz o filme ficar cada vez mais interessante e emocionante, pois na pele de um ex-agente, subvalorizado e injustiçado, ele desempenha facetas e trejeitos com tendências homossexuais que em certo momento até nos faz duvidar da própria sexualidade de Bond, mas que dá um ar de sarcasmo e ironia em sequências e discursos marcantes durante o filme, tirando um pouco a tensão de cima dos ombros de um antagonista tão torpe quanto ele.
Uma das coisas que mais me chamou atenção, também, foi como a profundidade de campo aumentou em relação aos outros filmes. Achei que foi a hora exata de colocar mais vida e significado na paisagem em vez de apenas destruí-la nas sequências de ação. As cores bem representadas, com ótimos contrastes e que dão emoção para o que está sendo relatado pelas lentes, sugerindo boas interpretações aos apreciadores deste ponto. Nota 10 para a direção de arte/direção de fotografia.
The Dark Knight e Christopher Nolan. É impossível um grande fã deste reboot de Batman, como eu, não ter notado a incrível semelhança que existe entre a estória de Skyfall e a estória de The Dark Knight, e conversando com um amigo, ele até me afirmou que leu em uma matéria que o próprio Sam Mendes havia confessado a inspiração na direção da obra de Nolan, que faz com que se torne altamente perceptível aquele clima de tensão que o filme dá quando a impressão que temos é que o vilão é muito mais hábil e talentoso que o protagonista. Mas não se enganem quanto ao fato de essa inspiração existir, pois foi uma adaptação que visa a busca pela mesma atmosfera igual ao clima, a meu ver, que Stanley Kubrick procurou deixar presente em The Shining, de 1980, quando fez o elenco principal assistir à Eraserhead, de 1977, de David Lynch, para entender a linha de atuação a se seguir, não uma inspiração que beira a cópia como foi a relação entre The Artist, de 2011, e Singin' In The Rain, de 1952.
Para resumir, é um filme ótimo. Grandes interpretações de Daniel Craig e Javier Bardem, de Judi Dench e de outros secundários, mas assim como alguns clichês meio desnecessários e o sub-aproveitamento de uma grande estrela de altíssimo nível como Ralph Fiennes, existiram coisas que deixaram a desejar, é claro que sem deixar o resultado final comprometido, mas existiram, e como é um filme com uma estória muita densa e com questões muito sérias abordadas, pareceu-me que as 2 horas e 20 minutos de execução foram poucas para tanto detalhe, mas também foi algo que não comprometeu o meu veredito final.
É um belo filme e eu com certeza recomendo que assistam, e sim, é o melhor dessa nova trilogia, mas a diferença de Skyfall para Casino Royale não é tão gritante e eu diria que são dois filmes que seguem a mesma linha, muito competentes. Uma nota 9, sem medo de errar.
Página criada pra eu parar de expor publicamente minha posição a respeito dos filmes (via twitter), e começar a falar só para os realmente interessados na minha opinião.
domingo, 28 de outubro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Moneyball (2011)

Posso estar errado, é verdade. Ainda não se formou o padrão, mas a sensação que eu tive depois que assisti Moneyball foi a mesma de depois de assistir a The King's Speech: uma provável e, considerando as interseções variáveis entre emoção e produção que a Academia costuma levar em conta, até incontestável vitória na categoria de Melhor Filme, por alguns motivos óbvios e claros percebidos durante alguns anos acompanhando a premiação.
Uma magnífica e arriscada aposta numa troca radical de estilo de gerenciar um time de beisebol, acreditada por um ex-jogador e seu assistente, é o conflito ininterrupto que se estende do início ao fim do filme. E nem é preciso falar que, mais uma vez, Brad Pitt esbanja talento, e retrata com sua interpretação, perfeitamente, um sofrido quarentão cujo os sonhos já foram devastados em outra ocasião na vida, e a única oportunidade que ele encontra de auto-remição é conseguir a afirmação no desenvolvimento de uma maneira eficaz de lidar com as próprias deficiências do limitado time que tem, podendo assim se acomodar consigo mesmo e tentar acabar com um carma.
A respeito da atuação dos dois de mais expressão, os atores secundários também estão muito bem. Boa cotação para apoio e grandes desempenhos. Philip Seymour Hoffman não decepciona. Como de praxe, está ótimo interpretando o treinador do time (Oakland A's) e, assim como Brad Pitt, é muito convincente. A incerteza era com Jonah Hill, que teve um único papel considerável e relevante - ele interpretou o personagem Seth em Superbad - em seu currículo até fazer Moneyball, mas também esteve ótimo enquanto, digamos assim, "auxiliar de palco", mostrando que pode sim adotar um novo estilo, que não o humor, ao seu role de ator.
Alguns problemas ocorreram durante o processo de produção do filme, como a necessidade de duas trocas na direção do projeto até que se definisse que Bennett Miller assumiria definitivamente. A necessidade de duas trocas, também, nos roteiristas, tendo Stan Chervin escrito a primeira versão do roteiro e, após Brad Pitt juntar-se ao projeto, ocorrido a contratação de Steven Zaillian para uma segunda versão, mas, logo em seguida, graças a Deus, Aaron Sorkin ter sido escalado para consertar o que caminhava para ser mais um roteiro com muito potencial, porém cheio de falhas pífias e perfeitamente descartáveis, feito por Zaillian (como em Gangs of New York, American Gangster e, o mais recente, The Girl With The Dragon Tattoo).
Numa opinião final, o filme é muito bom. Sentimental na dosagem certa, sem pieguice, é bem produzido, bem dirigido, tem uma fotografia respeitável, takes e propostas de inferência interessantes e plausíveis, e acho, realmente, que é um fortíssimo candidato às seguintes categorias do grande prêmio da Academia: Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Mixagem de Som.
Moneyball não é apenas mais um filme de esporte. Não é apenas mais um clichê americano. Não é pseudo-conteúdo. Em níveis moderados (mas não menos consideráveis) serve como uma eficaz lição de comportamento, determinação e sucesso pessoal que, se levada em conta, rende muitos lucros. É um ótimo filme que eu com certeza recomendo.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Black Hawk Down (2001)

Um grande conflito levado às telas do cinema. Diria, no mínimo, impressionante. Black Hawk Down é uma obra-prima em movimento, mostrando que Ridley Scott merece ocupar o lugar que ocupa na elite dos diretores de cinema, dando porquês dessa constatação em fatos convincentes, que evidenciam tal.
Durante a guerra civil da Somália tropas estadunidenses invadem a capital Mogadíscio para combaterem grupos rebeldes respaldados por um regime doentio instaurado por Mohamed Farrah Aidid, mas o que deveria ser uma operação rápida e simples, sai completamente do eixo de controle e toma proporções catastróficas, tornando-se uma cansativa e desnecessária batalha de 15 horas de duração, com grandes baixas para ambos os lados.
Pouco a se falar sobre a história. Um roteiro consistente, apesar do nem tão consistente aprofundamento no acontecimento em si, mas é perceptível que o que se passa na tela é bem eficaz, e dá um sentido claro ao conflito, levando o espectador a assimilar toda a problemática do filme em seus diversos aspectos. Ken Nolan está de parabéns.
Uma ótima continuidade. Com a frenesi que acompanha o filme parece meio difícil, mas é possível perceber que os fatos acontecem numa linha racional, não deixando a intensa troca de câmeras e pontos de vista afetar o tempo cronológico, melhorando ainda mais a obra. E uma grande criatividade, até mesmo em detalhes de takes que poderiam passar desapercebidos, mas Ridley Scott lembrou-se de deixar seu selo de excelência ao rodar este roteiro, até mesmo nos pontos mais minuciosos.
Fotografia. Esse foi um dos fatores que me chamou mais atenção no filme. Slawomir Idziak realizou um dos trabalhos de direção fotográfica mais primorosos que eu já vi na vida, brincando com a saturação de cores, com a iluminação e deixando cada vez mais complexo o seu trabalho. Complexo e maravilhoso, diga-se de passagem.
Às vezes uma fotografia neutra, com iluminação natural e artificial em níveis bem próximos, mostrando as cores e sensações literais do acontecimento. Às vezes, bem complexa. Mistura de tons, mudança de temperatura cromática e uma certa instabilidade - proposital - nas cores (somadas ao grande trabalho de efeitos visuais, de montagem e de direção, claro) foram aspectos cruciais para a absorção do sentimento necessário em cada cena, e isso, com certeza, foi desempenhado com maestria.
Outra coisa que me chamou muita atenção foi o elenco. Acho que não poderia haver escolha melhor para esse filme. Talvez tenha sido uma espécie de compensação pela falta de aprofundamento na história, mas a equipe de produção fez com que um elenco misto de grandes estrelas e de atores de nem tanta expressão assim fizessem participações com importância equivalente, deixando a homogeneidade na trama interessante e envolvente.
Dois Oscars: Melhor Som e Melhor Edição. Merecidíssimos, é claro. A soma das frenéticas mudanças de ponto de vista à mixagem e edição do som de balas de diferentes armas e explosões em diferentes ambientes formaram uma combinação, me arrisco a dizer, perfeita e emocionante, para os amantes do cinema, mostrando que nem só de injustiça se sustenta o Oscar, competência também é premiada, como nesse caso.
Ridley Scott mostrou o porquê de ter ganhado o prêmio de Melhor Diretor no ano anterior, representando muito bem suas qualidades na regência deste grandioso projeto. Está de parabéns.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
The Tree Of Life (2011)
Após um hiato de 6 anos sem lançar nada como diretor, Terrence Malick volta às telas e à mídia com o religioso e polêmico longa que lhe rendeu um dos prêmios mais cobiçados na indústria do cinema: o Palma De Ouro em Cannes. Com Sean Penn, Brad Pitt e Jessica Chastain no elenco, Malick realizou um ótimo trabalho, tanto como diretor quanto como roteirista, porém cometendo alguns erros bestas, que fariam do filme um marco maior ainda na história do cinema se não existissem, e agora vocês saberão o porquê disso.
A trama passa-se na década de 50, e mostra a história do menino Jack O'Brian e sua trajetória de vida, desde o momento em que um de seus irmãos morre (acontecendo no início do filme e dando vazão à uma idéia de que pode ter sido por causa disso, somado a outros inúmeros fatores, o porquê dele ter tido uma relação tão complicada com seu pai) até sua vida adulta, quando o realizador mostra-o um adulto transtornado e sofrido vivido na pele de Sean Penn.
O filme é bastante complicado como um todo, pois as cenas são feitas unicamente apresentando ações, livres de falas ou acontecimentos mais concretos e esclarecedores. Sempre a troca de opiniões e idéias é dada por sequências ínfimas de dizeres, acompanhadas por muita atuação e gesticulação, e foi aí que o diretor cometeu seu primeiro erro: designou papéis importantíssimos para a síntese da obra à pessoas desqualificadas para tais, como Jessica Chastain e Hunter McCracken.
O garotinho (Hunter) que protagoniza o drama, é extremamente amador para a imensidão e conceito em que o filme se encontra e a profundidade que o papel requere, não tendo a experiência e o talento devido para interpretar o problemático Jack, deixando a desejar certas sequências que deveriam ser muito mais marcantes e tocantes, fazendo o filme deixar uma lacuna que realmente faz a diferença no final de tudo.
Jessica Chastain. Quem é ela? Não sei como foi a sua atuação nas várias séries ou nos outros dois filmes dos quais participou (ela atuou em outros longas, porém ainda não-lançados), mas me pareceu que ela se esforçou tanto para ser natural nas cenas de sofrimento e pesar - cenas essas que desempenhou com êxito, deixo bem claro - que nas que deveriam ser mais fáceis de fazer, ela parece que ligou o "modo robótico" e fez. Correria e brincadeira, sorrisos e gargalhadas, um passar de mão na cabeça como quem sente orgulho do filho que tem, pareceu-me meio forçado, quando fora designado à ela para se fazer, e em meio à monotonia que o filme abriga, é fácil de perceber pequenos descuidos como esses, quando se está atento.
Um roteiro extremamente complicado. Assim posso chamá-lo. Pois não é qualquer pessoa que "digere" a idéia e entende o sentido geral do filme, principalmente pelo fato da película não conter muitas cenas com falas que expurguem-no - como já dito antes - deixando assim algumas dúvidas na cabeça dos menos atentos. A ausência de trilha sonora em boa parte da obra é também um fator agravante, pois é um filme que se dá, eu diria que, 90% de percepção e sensibilidade, unicamente pelo que está sendo apresentado, e para um espectador paciente e sensitivo, a pungência das sequências se dá ao fim, quando maravilhosos, criativos e bem compostos trechos de música clássica, feitos por Alexandre Desplat, entram em cena dando o toque requintado necessário.
Outra coisa que me chamou atenção e que considerei um deslize enorme por parte do diretor foi o fato dele possuir uma das maiores personas que já passaram pelo cinema, viva em seu elenco, e não ter usado com sabedoria seu talento. Falo de Sean Penn. Um ator consagrado. Extremamente talentoso. Malick, por que não usufruiu da habilidade dele para preencher as pequenas lacunas (pequenas, mas bem perceptíveis) existentes no filme? Essa é uma pergunta que nunca vou saber responder.
O enredo é extremamente relevante e pertinente. Religião. Família. Vida. Mostra o crescer e o envelhecer de um ser humano e suas inúmeras atividades corriqueiras decorrentes da rotina que leva. Mostra as dificuldades que se tem quando enfrentamos a perda de um ente querido, um irmão, logo na infância, e filosofa as peculiaridades do universo lado a lado com o dilema da existência de um Deus maior que rege e ordena o mundo e o porquê das coisas precisarem ser do jeito que são. Atuações maravilhosas, fortes, dos grandes nomes, como Brad Pitt e Sean Penn - Sean apesar de não ter sido muito usado, interpretou muitíssimo bem, como de praxe -, e algumas boas, até mesmo dos pouco experientes contidos no elenco, mas conversando com um amigo, cheguei à uma conclusão: o filme poderia ter contado e passado toda a mensagem sem precisar ter ao menos 1/3 de toda o desenrolar técnico da produção, podendo ter sido até mais agradável e de mais fácil compreensão para o espectador. É um ótimo filme, mas poderia ser melhor.
domingo, 12 de junho de 2011
Blue Valentine (2010)

Com um convite ao dissabor da rotina e dos problemas em um relacionamento, Blue Valentine é o filme perfeito para mostrar, nesse mês dos namorados, que casais tão perfeitos não existem, e apesar de Dean e Cindy - Ryan Gosling e Michelle Williams - serem problemáticos até demais para o contexto linear ao qual estamos acostumados, pode-se dizer que todos os casais têm problemas de sobra, e que, na maioria das vezes, escondem por debaixo dos panos.
Dean é um personagem despreocupado, alheio e averso à responsabilidades, que nunca fez questão de muito em sua vida, e apesar de ter bastante potencial, para engajar-se em algo que o satisfizesse pessoal e profissionalmente, preferiu seguir o básico da sobrevivência necessário a ter que se enrolar à uma vida mais séria e estereotipada. Coisa que não agrada muito Cindy, uma personagem completamente diferente.
Michelle Williams (Cindy) é uma pessoa extremamente desagradável. Não tem ânimo para nada, destrata seu marido... E tudo isso, durante o filme, parece reflexo de um estilo de vida que ela teve de adotar por conta das circunstâncias que de repente apareceram em sua vida. É um roteiro complicado, com personagens complexos, e uma história diferente, mas foi um filme bem feito por Derek Cianfrance.
O filme em si, com seus takes e seus diálogos, mostra a relação conturbada entre o casal principal, sendo Dean um homem super redundante e repetitivo, áspero, mas também sensível, seguindo essa linha antitética em várias características, meio que, em certos momentos, se tornando capacho da amada, e Cindy uma pessoa, como já falado antes, extremamente desagradável, desanimada, que muito provavelmente seja assim por não ter tido tempo para amadurecer a idéia de consiliar sua sonhada vida profissional com os desafios de ser mãe e chefa de um lar ao mesmo tempo, e assim, não sabendo dar a devida importância ao seu prestativo marido.
É um projeto tocante, com atuações bem convincentes, repletas de trejeitos que indicam naturalidade, e um curso psicológico que nos faz entender bem os contrastes da relação pré e pós matrimonial. Uma fotografia super adequada, bem calma, fria, passando a idéia de tristeza e monotonia em algumas partes, e extrema castidade passional em outras, trazendo à tela as tonalidades certas para cada sequência.
Me impressionou o fato de o filme, mesmo tendo todos esses elementos tão sentimentais, não ser piegas. Ele simplesmente mostra de forma extremamente válida e relevante o que acontece com duas pessoas depois que se casam, e, a partir desse momento, param de se preocupar em fomentar a paixão, o sentimento, que provavelmente existia no início do relacionamento e que já não existe mais.
Se você é fã de romances reais, com a dose certa de drama e veracidade, ou mesmo se apenas se preocupa com questões interpessoais tão relevantes como essa, Blue Valentine é um ótimo conselho de filme para você assistir e pensar sobre coisas realmente importantes em nossas vidas, que geram sentimento, e sensibilidade, para vivermos de forma mais afável, humana e menos depressiva, preocupando-se sempre com o bem, de forma digna, de um relacionamento com a pessoa amada, pois a problemática e agoniante tristeza contida nesse longa, duvido que seja desejada por alguém.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Water For Elephants (2011)

Ontem fui ao cinema assistir ao filme que eu tanto queria ver. Porque eu realmente estava esperando um romance inusitado em um âmbito diferente, mas que tivesse uma atmosfera parecida com a de The Notebook, aquele romance louco e intenso, que prende o espectador à paixão na tela; e também por ter sabido da existência de um livro sobre e de saber que o mesmo era um best-seller do The New York Times, mas tanta expectativa acabou causando uma certa decepção para mim, e de um jeito ou de outro, eu já sabia que isso iria acontecer.
Até tento não ser preconceituoso, e dar duas, até três chances para um ator que eu sei que é ruim, mas esse é um ponto complicado. Robert Pattinson mostrou mais uma vez ao público que a única atuação aceitável em sua carreira, que aconteceu quando interpretou Cedrico Diggory na série Harry Potter, não consegue mais ser reproduzida, e agora, depois da série Twilight, ele mostrou que não consegue mais passar de um galãzinho teen e que de ator não tem nada.
Mostrou que não tem condições de protagonizar um bom filme, pois ele é completamente inexpressivo e sem graça, assim quebrando sequências que talvez salvassem o erro que foi esta adaptação. Mas antes fosse só a péssima escolha dele como personagem principal; se fosse só isso, o filme ainda teria uma chance de ser bom.
Fotografia inadequada. O filme se passa na década de 30, uma época em que ocorria a Grande Depressão, crise econômica bombástica e devastadora, que destruiu empresas, quebrou grandes investidores e empresários e desestruturou famílias, e até há pequenas "notas" de que era isso o que acontecia durante o filme, mas com uma fotografia tão simples, tão clean, não era possível perceber a importância do fato para com aquilo tudo que estava ocorrendo.
Roteiro pessimamente adaptado. Não li o livro, mas imagino que Sara Gruen ao escrever o romance, sabia sobre o que estava falando, usava de meios para atrair a atenção do leitor e fazer com que percebesse o que se passava. Tenho certeza, também, de que se preocupou em mostrar que estava acontecendo um clima romântico entre as personagens principais, que se traduzia em pequenos atos ou situações ao longo da trama, e não foi o que Richard LaGravenese fez. Em vez de adaptar a obra, acho que teve a "brilhante" idéia de fazer um resumão do livro e simplesmente dar para Francis Lawrence tentar entender e rodar, fazendo até com que ele, Francis, sujasse seu nome com a péssima escolha.
Quando o estúdio se decidiu por gravar o filme, não deve ter imaginado que esse é um tema difícil de atrair a atenção do público, difícil de se fazer entender uma história de amor nessa atmosfera circense, ainda mais com pessoas tão descapacitadas no elenco. Não obstante, nem só de erros foi feito esse filme. O estúdio ganhou um ponto positivo na cotação de um papel: o antagonista eles acertaram em cheio e foi a grande exceção do projeto. Cristoph Waltz foi essa exceção.
Está brilhante, numa atuação que lembra a todos o porquê de ter levado todos os principais prêmios, por unanimidade, quando concorreu a Melhor Ator Coadjuvante por Inglourious Basterds (de Tarantino), e se excluiu do grupinho que levou o projeto à ruína. Porém Reese Witherspoon, não.
Até mesmo ela que é uma excelente atriz e , assim como Waltz, no ano em que concorreu à Melhor Atriz, 2005, por Walk The Line, ganhou por unanimidade, todos os prêmios, reproduziu mal o seu papel, fazendo parte de um casal que não teve química alguma durante o filme todo - e isso é facilmente percebido - fazendo o público questionar-se de seu talento.
O pior de tudo era que o roteiro era tão chinfrim, que era óbvio que não tinha como acontecer aquele romance que estavam tentando enfiar goela abaixo, mas do nada, Robert e Reese se apaixonam, sem mais nem menos, e tudo acaba mudando convenientemente para que o amor acontecesse, subestimando a inteligência de quem assistia.
Apesar de até ter tido suas excessões - a direção, a produção, e Christoph Waltz como antagonista -, me decepcionei com a maioria dos outros pontos técnicos: fotografia, cotação para o elenco, figurino, protagonistas, roteiro (acho que isso foi o que me deixou mais indignado)... São tantas coisas, que eu poderia falar muito mais, mas opto por não, e assim, começo a aprender a não esperar tanto e a não criar tantas expectativas a respeito de um filme, pois, como esse, o filme pode ser ruim.
Fui procurando algum conteúdo, um filme que me acrescentasse algo, que me mostrasse um romance verdadeiro e inesperado numa época tão conturbada e difícil, e que quebrasse um tabu que é tão vivo nos dias de hoje quanto com certeza era na década de 30 (o relacionamento entre pessoas de idades muito diferentes), mas vi só uma boba história de amor que não convence ninguém de sua verossimilhança e de sua falsa e forçada emoção, mas apesar das tão incisivas e julgadoras palavras, é um filme que não faz mal a ninguém, e pode ser assistido tranquilamente como um passatempo, porém, se você me pedir para dizer se eu gostaria de assistir de novo ou não, provavelmente a segunda opção será escolhida.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Babel (2006)
Acabei de assistir ao filme, e inúmeras conclusões e comentários vieram de repente à minha cabeça. Este está longe de ser um filme excepcional, mas é bom, e muito interessante, e tem atuações muito válidas, apesar de certas falhas.
É um roteiro baseado numa história criada pelo diretor Alejandro Iñárritu e seu então parceiro Guillermo Arriaga, que mostra 4 histórias acontecendo em ordens não-cronológicas, em 4 partes diferentes do mundo: Japão, Marrocos, México e Estados Unidos.
Brad Pitt e Cate Blanchett são os protagonistas da trama em uma parte do Marrocos. Gael García Bernal atua como Santiago, sobrinho da babá dos filhos de Brad e Cate, interpretada por Adriana Barraza. Rinko Kikuchi e Koji Yakusho são o cast principal do Japão. E na segunda trama ocorrida no Marrocos, os protagonistas são atores amadores locais.
Achei um filme meio sem propósito, apesar de ter um clima bem pesado e tocante, que instiga o espectador, o faz sentir aquele clima de tristeza, mas que logo é quebrado e o faz perder (pelo menos comigo foi assim) o foco, pois indagamos: "Qual a importância dessa história?". Perguntamo-nos o porquê daquilo à toda hora, e olha que nem é preciso pensar muito durante o filme para concordar comigo.
Com um drama sempre intercalado por aflição e logo em seguida dúvida, preparamo-nos para sequências bem trágicas, pois a atmosfera e a impressão que o filme nos causa, induz a pensar assim, mas a consistência dramática nas histórias é que faz o filme pecar, e talvez tenha sido um dos fatores que não o fez concorrer de forma mais justa com The Departed do Scorsese no Oscar de 2007.
As estrelas do filme (Gael, Brad e Cate) estão ótimos, realmente, e a direção de Iñárritu também está muito boa. Fotografia, locações e até mesmo a continuidade do filme (a partir do roteiro, é claro) são muito boas, mas é a continuidade na história de origem que foi feita de maneira errada.
Filmes como esse, imaginamos no final tirar alguma lição a respeito e não ficar esperando algo mais, explicação do que não ficou claro, fatos a se concluírem. Não me julguem por eu ter esperado o óbvio de um filme do tipo, porque essa não é uma questão de ignorância, e sim uma questão de bom senso, mas é que sem o óbvio já imaginado, a trama fica repleta de lacunas no seu decorrer.
A intensidade das atuações, a falta de foco detalhado, o drama para os clímaxes de cada história, e a mensagem (que até agora acho não existir) foram feitos de forma errada. Não de forma a qual eu não esperava, foram feitos de forma errada, mesmo. Porque por diversas vezes eu comento: "Adorei o filme, muito bom mesmo, mas se eu tivesse a oportunidade, faria diferente." E não foi esse o caso, pois me decepcionou.
Em momento algum disse que é um filme ruim, mas sim quis dizer que é um filme meio morno, por ausência dos pontos antes citados. Pois em vez de o terem rodado dessa forma, digo "drama por drama", sem inferência além na obra, poderiam ter criado uma coisa altamente relevante, pois é uma história criativa, e uma produção que contou com o apoio de grandes atores que poderiam incrementar ainda mais.
Poderiam ter interligado as histórias, atribuído um valor emocional, porém inteligente, maior. Poderiam ter usado de uma variedade de sentidos possíveis a partir simplesmente do título do filme, já que Babel remete-nos à história da construção da torre, que, após dar errado, ocasionou na diversidade lingüística, que é apresentada no filme pela presença de 4 idiomas distintos.
Seria genial, seria único, talvez ficasse para a história. Havia diversas formas inovadoras para realizar a trama, mas nenhuma foi sequer cogitada, não pelo que parece, não pelo que eu vi.
Iñárritu errou, mas não deixa de ser um ótimo diretor, que realizou um bom trabalho neste filme e contou com a participação de ótimos profissionais apoiando-no, mas se eu tivesse que dar uma nota, seria um apagado 7,5. Nada a mais, nada a menos.
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